Elas cuidam da casa, do trabalho e da família. O dia dessas mulheres tem 24 horas e inúmeras tarefas
Por: MarinaAranha
5h45. Toca o despertador. Começa o dia de Ginelisa Serapião, de 25 anos, em Campinas. E é tudo muito rápido: ela levanta, troca de roupa e pega o carro. Porque o café da manhã, toma nele mesmo, entre uma manobra e outra, para compensar os minutos a mais de sono. "Faço tudo isso para poder dormir um pouco mais, considerando que não durmo antes da meia noite, pois amo ler e é o único horário que tenho para fazer leituras fora da minha área", diz. Ginelisa é personal trainer e inicia as aulas às 6h30, quando o dia também está começando para a jornalista Irany Rita dos Santos, de 42 anos, que levanta a essa hora para fazer caminhada antes de cuidar da casa. "É bem corrido. Depois do exercício, café da manhã, oração, leitura da Bíblia, dever de casa das crianças, começo a labuta do serviço doméstico. Um dia lavo roupa, no outro passo, um dia limpo um cômodo, outro, outro e assim vai toda a manhã até às 11h".
Às onze da manhã, aliás, o almoço é parada obrigatória. Para as duas. Enquanto Irany serve a comida para seus dois filhos, Caio, de 7 anos, e Danilo, de 12, que entram na escola à uma da tarde, Ginelisa aproveita o tempo para comer, checar e-mails, fazer relatórios e ir para a academia. Lá ela toma banho, depois dos exercícios, para, às três da tarde, recomeçar as aulas, que só terminam às oito e meia da noite. "Entre essas aulas tenho alguns intervalos, que aproveito para vender roupas de ginástica e semi-jóias, que revendo há 5 anos, fazer supermercado e outras tarefas do cotidiano", conta.
Já Irany almoça, leva os filhos para a escola e vai para a Rádio Educativa de Campinas, onde trabalha como jornalista. Ela entra às 14h e nunca tem horário previsto para sair. Depende do fechamento do jornal, das matérias, do tempo. Mas, de lá, ela volta pra casa e se prepara para reencontrar os filhos e dormir, porque, no dia seguinte, começa tudo de novo.
Irany e Ginelisa não são exceção à regra feminina hoje. A divisão de tarefas e o trabalho dentro e fora de casa transformaram a vida das mulheres numa verdadeira maratona. E, acreditem, elas gostam de toda a correria. Para Ginelisa, sua vida é como queria que fosse. "Essa vida representa tudo pra mim. Não conseguiria ficar parada um minuto. Nasci na época certa, vivo a mil por hora". O mesmo diz Irany, que é feliz com todas as atividades que tem para fazer. "Sou uma pessoa agitada por natureza, gosto de novidades e vivo quebrando a rotina, por isso, não me imagino sendo só mãe, só esposa, só dona-de-casa, só profissional. Sou uma mistura de tudo isso".
Um conjunto de atividades que dividem espaço, ainda, com a preocupação com a família. Todo o esforço para participar da educação dos filhos é um cuidado, segundo Irany, indispensável. "As mães estão muito ausentes na educação dos filhos. A criança precisa de orientação e segurança em todas as fases da vida, principalmente na adolescência, quando está descobrindo o mundo. É bem complicado, mas dá para educá-los sim. Ajudo nos deveres escolares, vou às reuniões, participo das homenagens em datas comemorativas, procuro estar sempre presente", reforça. Prova da dedicação de Irany à sua família está na tarefa cotidiana preferida da jornalista: cozinhar. Para ela, fazer receitas saborosas para seu marido e seus filhos é o que mais lhe dá prazer no dia-a-dia. Porque descanso, descanso mesmo, só nos finais de semana. E, mesmo neles, ela não pára: visita as amigas, vai ao shopping, ao clube..
Para Ginelisa, o tempo livre para descansar também é no sábado e no domingo, quando ela volta para sua cidade, Andradas, no interior de Minas Gerais. Lá, ela ainda arruma tempo para encaixar algumas atividades profissionais. "Nos finais de semana vendo minhas peças na minha cidade, curto um pouco minha família, meus cachorros, meus amigos e namorado", destaca.
E daqui pra frente? Mudanças. Poucas. Ou muitas, mas que dependem do tempo. Irany quer uma mudança básica e necessária. "Fiz tantas coisas e nunca tirei a carteira de motorista, preciso aprender a dirigir e estou caminhando para isso. Tenho muitos outros planos e quero sempre a minha família comigo." Já Ginelisa pretende manter a independência financeira e também pensa na família. "Se considerarmos uns cinco anos a partir de hoje, ainda pretendo manter a mesma vida que levo, pois meus objetivos são terminar de estudar meus irmãos e encaminhá-los, fazer uma pós-graduação e depois quem sabe voltar para minha cidade, casar e ter filhos", conta.
Duas mulheres que representam todas as outras do século XXI. Com deveres, direitos, responsabilidades e sonhos. Muitos sonhos.
Mulheres, especiais, que ainda encontram tempo para falar sobre eles, no meio de toda a correria.
quinta-feira, 12 de março de 2009
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