sexta-feira, 13 de março de 2009

Clubes-empresas: investimento do futuro



O peso da camisa e a tradição dos clubes, já tiveram um maior impacto no país do futebol. Desde o início do século XXI, o grande foco dos profissionais ligados à maior paixão esportiva do torcedor tupiniquim, é no crescimento da associação no geral, e não apenas no rendimento do time dentro de campo. A crescente divulgação perante aos órgãos de imprensa, como jornais, rádio e – principalmente – a televisão, eleva os clubes brasileiros a um patamar jamais alcançado em décadas anteriores. Produtos são vendidos aos milhares, projetos são criados e aprovados usualmente pelos diretores e gerentes que usufruem do tal Marketing.

Analisar a estrutura de uma agremiação no Brasil, como por exemplo, o São Paulo, Cruzeiro ou até o Internacional de Porto Alegre, é relacioná-los à modernidade e empreendimento dos times europeus. Há outros casos, porém, que comprovam o poder do capital dentro do futebol. Equipes que sequer possuem uma, duas décadas de existência, ocupam o espaço dos verdadeiros “dinossauros de museu”. De maneira totalmente comprovada, São Paulo é o grande centro de investimentos dos chamados clubes-empresas.

No interior do estado, encontramos um jovem e determinado clube com mentalidade empresarial. Mentalidade? Sim, o Paulínia Futebol Clube, fundado em 10 de Junho de 2004, busca seu espaço no competitivo cenário paulista, e não deixa de realizar serviços sociais direcionados à comunidade de um município que encontra-se no topo do IDH e PIB do estado. Segundo a assessora de imprensa do Paulínia, Katherine Amaya, a entidade apenas age como um clube-empresa:
- Nós do Paulínia Futebol Clube apenas pensamos como um clube-empresa, porém não somos um. Um clube-empresa atua por fins lucrativos, o que não ocorre em nosso caso.

Além das atividades com o elenco profissional e as equipes sub-17, 15, 14, 13, 12 e 11, a estrutura oferecida pelo “Dinossauro” (mascote e apelido da equipe) a mais de 500 crianças de Paulínia, é algo invejável. O projeto nasceu e cresceu antes mesmo do fundador Francisco Almeida Bonavita Barros dar a largada nas atividades do time adulto. Durante os três anos inaugurais do projeto, a criação do PIF (Projeto de Iniciação do Futebol) sempre esteve em primeiro plano. Ensinar as técnicas do futebol e a prática da cidadania às crianças de 6 a 15 anos, tornou-se marca registrada do clube. Um CT com três campos (sendo um composto por grama sintética e dois de grama bermuda), um ginásio e o estádio Municipal com capacidade para sete mil pessoas, sujeito a ampliação muito em breve, são artigos que muitos campeões do passado sequer sonham em construir.

As imensas dificuldades e o alto valor de filiação à FPF (Federação Paulista de Futebol) fizeram com que a meta de profissionalização do futebol em Paulínia fosse alcançada apenas no ano de 2008, debutando na Segunda Divisão do Campeonato Paulista (referente à quarta divisão, antiga Série B-1). O PFC não subiu, embora tenha conseguido atingir muitos objetivos como, por exemplo, a obtenção de um bom número de fãs e torcedores, e uma nova e diferente visão de atletas da Região Metropolitana de Campinas sobre a estrutura do clube e da própria cidade.

Para termos uma idéia dos resultados positivos do projeto de marketing da diretoria, há duas temporadas, Paulínia é cidade-sede do maior torneio de futebol de base do Brasil: a Copa São Paulo de Juniores. Uma conquista da qual pólos tradicionais como Limeira e Piracicaba não obtiveram. Embora os garotos do time azul-e-amarelo (as cores da equipe lembram vagamente as do argentino Boca Juniors) tenham fracassado em ambas as ocasiões, - perdendo todos os três jogos da fase inicial em 2009, e somando apenas um ponto em 2008 - pouco foi percebido diante da festa realizada pelos cidadãos paulinenses, presentes em ótimo número em todas as seis partidas da chave.

Mais sobre Paulínia

Falar da economia paulinense é relacioná-la às fontes petrolíferas, correto? Antigamente sim, afinal na rica cidade de apenas 44 anos de história, está presente a principal empresa da Petrobras em todo o estado, no entanto a organizada prefeitura (que inclusive fornece total apoio ao PFC) tem aderido uma inovadora idéia para associar outra fonte de riqueza (esta cultural) ao município: o cinema e o teatro. Já chamada por muitos de “Hollywood caipira”, Paulínia e seus atrativos cinematográficos atraem a cada dia mais os cineastas consagrados, não apenas do estado, mas de todo o país, para visitas em sua Escola de Cinema, além é claro, do histórico Teatro Municipal (acreditem, “Theatro”!).

Ainda passeando pelos pontos turísticos, vislumbramos um belíssimo Parque Ecológico, um shopping e o famoso sambódromo. Tudo isto para pouco mais de 80 mil habitantes...

Outros clubes-empresas

Talvez o último grande exemplo de um clube-empresa que funcionou, no futebol paulista, esteja concentrado no Vale do Paraíba. Semifinalista do Paulistão em 2008, com apenas dez anos de existência, o Guaratinguetá Futebol Ltda implantou uma nova filosofia de comando. Conseguindo inéditos (e rápidos) acessos consecutivos, o próximo objetivo é destacar-se em nível nacional, promovendo-se à Série B do Campeonato Brasileiro.

Algumas divisões abaixo, são encontrados outros modelos empresariais neste meio. Com vestígios de falência, o Votoraty, situado em Votorantim, por muito pouco não ascendeu à segunda divisão paulista, no entanto afundou em dívidas e encontrou na parceria com a empresa Holding, a solução de todos os problemas. Já o SEV de Hortolândia mantém-se atento para não seguir o mesmo caminho de outros projetos arruinados. Com sede em Votuporanga no ano de sua fundação, o Lobo Caipira migrou-se para Hortolândia, onde reside até o presente momento.

Engatinhando, mas a passos largos, estão o Pão de Açúcar, propriedade do grupo de mesmo nome, e a franquia Red Bull Brasil, de Vinhedo (cuja empresa ainda ostenta dois clubes no mundo: um em Nova Iorque nos Estados Unidos, e outro na cidade de Salzburg, situada na Áustria). Enfim, os clubes chamados “tradicionais” estão definitivamente sumindo do mapa da bola, casos da Internacional e do Independente, ambos de Limeira, e do XV de Jaú, por exemplo, e a necessidade pela utilização do marketing e de projetos duradouros e inovadores tornar-se-á cada vez mais essencial à sobrevivência deste tentador negócio chamado futebol.

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