Fonte: Portal Terra
Ao comentar o início do cadastramento de interessados no programa Minha Casa, Minha Vida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o pacote precisa de um "tempo de maturação" para que a população possa perceber os primeiros resultados. A partir desta segunda-feira, o governo federal começa a registrar pessoas que querem comprar casas e também projetos de empresas para a construção das moradias.
"É um desafio para o governo, para as prefeituras, para os Estados, para os empresários", disse, em seu de programa de rádio semanal Café com o Presidente, ao se referir à promessa de construção de 1 milhão de casas.
Para Lula, o pacote habitacional vai permitir "aperfeiçoamento" e "amadurecimento" ao País. Ele destacou que o objetivo do plano é abrir caminho para "respostas" ao déficit habitacional brasileiro e para os níveis de desemprego, sobretudo em tempos de crise financeira internacional.
O programa destina-se ao público com faixa de renda entre três e dez salários mínimos. Estima-se que, nessa faixa de renda, exista um público-alvo de 4 milhões de pessoas, na base de clientes do Banco do Brasil, um dos financiadores do projeto.
Crise afeta exportações"As exportações têm diminuído em todos os países. Todo mundo vai comprar apenas o necessário e isso cria problema em vários setores", afirmou o presidente. Ele lembrou que a estratégia do governo brasileiro é fortalecer o mercado interno, com destaque para investimentos no setor automobilístico e de infra-estrutura e para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Ao comentar a decisão de prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis zero quilômetro, o presidente afirmou que o governo adotou "as medidas necessárias" e que tomará outras para amenizar os reflexos da crise na economia brasileira, caso seja necessário.
"Fizemos a redução do IPI porque sabíamos da importância da cadeia produtiva automobilística. Eles representam aproximadamente 24% ou 25% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial brasileiro", disse.
Lula lembrou que as estratégias do governo na tentativa de reaquecer o setor incluem ainda estimular pequenos bancos para que voltem a oferecer crédito - o que ajuda o capital de giro de pequenas e médias empresas.
"Aos poucos, estamos tomando conta da situação econômica e fazendo com que o Brasil dê as respostas que os brasileiros esperam."
O número de famílias cariocas interessadas em comprar um imóvel popular por meio de programas habitacionais aumentou cerca de 1.000% desde que o governo federal lançou o programa Minha Casa, Minha Vida, em março. Segundo informações da prefeitura do Rio de Janeiro, neste período, a média diária de pedidos de cadastramento, que já era promovido pelo município antes do pacote habitacional ser anunciado, passou de 60 para 660. Na maioria dos municípios brasileiros, as famílias com renda inferior a três salários mínimos que se interessarem em fazer parte do programa devem procurar as prefeituras para se inscrever a partir desta segunda-feira. Já as famílias com renda entre três e dez salários mínimos devem procurar diretamente as construtoras ou a Caixa Econômica Federal. Os imóveis poderão ser financiados em até 100%, e o valor máximo de cada unidade deverá ser de R$ 130 mil. Os juros serão reduzidos e o valor a ser pago poderá ser dividido em até 30 anos. De acordo com o secretário municipal de Habitação do Rio, Jorge Bittar, para minimizar o déficit de moradias na cidade, estimado em 350 mil casas, serão construídas por meio do programa, nos próximos quatro anos, 100 mil unidades habitacionais. Para isso, estão previstos investimentos, sobretudo do governo federal, no valor de R$ 5 bilhões. "Vamos diminuir muito o processo de favelização e reduzir os aglomerados urbanos, além de conter o crescimento desordenado, oferecendo oportunidade de compra a famílias que hoje não têm alternativa no mercado imobiliário", afirmou. O secretário informou, ainda, que a prefeitura está fazendo um mapeamento de terrenos desocupados em todo o município que possam ser usados para receber as construções. "Estamos dando preferência à área central da cidade e outros eixos principais de transporte, que tenham abastecimento de água, esgoto, acesso a escolas e hospitais, como a Avenida Brasil (via expressa que liga a zona oeste ao centro da cidade) e a Avenida Suburbana (um dos principais corredores viários da cidade que corta diversos bairros da zona norte)", destacou. A prefeitura pretende construir os imóveis em parceria, com verbas públicas e com recursos da iniciativa privada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário