A reportagem da Revista Conceito, atenta ao seu caráter de prestadora de serviços, procurou a especialista em Língua Portuguesa, professora Elisabeti Azevedo Cheretti, para ficar por dentro das novas regras gramaticais, que estarão em vigor a partir de 2009. Acompanhe a entrevista.
ViníciusGutierres
Conceito - Professora, quando foi sancionada essa nova lei de mudança ortográfica?
Elisabeti - No dia 28 de setembro deste ano, na Academia Brasileira de Letras (ABL), RJ. O projeto, que já deveria estar em prática, só não aconteceu em função de Portugal pôr resistência em assinar o documento. Apesar do parlamento português haver decidido pela adesão em maio deste ano, o presidente Aníbal Cavaco Silva só ratificou a reforma em 23 de julho. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é responsável pela mudança de cerca de 0,5% da grafia das nossas palavras, contra 1,42% dos lusitanos, fato que tem gerado muito descontentamento entre nossos colonizadores e que pode até mesmo atrapalhar os planos de unificação do idioma.
Conceito - Qual o principal objetivo dessas mudanças?
Elisabeti - O principal objetivo do projeto é a unificação ortográfica dos oito países que têm o Português como língua oficial. Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram os primeiros dos oito países a aceitar o acordo. Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal ainda mantinham-se relutantes. O Português deixará de ser a única língua com duas ortografias e, como defendia o filólogo Antonio Houaiss (1915/1999), poderá ser língua oficial da UNESCO.
Conceito - As mudanças referem-se apenas à língua escrita ou à oral também?
Elisabeti - Deve ficar claro que a mudança restringe-se à língua escrita, não afetando a língua falada. Embora a unificação ortográfica passe a vigorar, no Brasil, em 1º de janeiro de 2009, haverá um período de quatro anos para a transição. Nesse período, as duas formas serão aceitas nos vestibulares, nos concursos públicos, nos meios escritos em geral. Em relação aos livros didáticos, a partir do ano que vem, o governo só comprará e distribuirá os que estiveram impressos de acordo com a ortografia unificada.
Conceito - Quais as mudanças que iremos enfrentar?
Elisabeti - As mudanças não representam uma tragédia. Apenas em relação ao uso do hífen é que se complica um pouco, pois o assunto já era confuso e infernal para os vestibulandos e concursandos. O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y. O alfabeto completo passa a ser: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V WX Y Z. Em relação ao trema, sinal (¨) colocado sobre a letra u nos grupos gue, gui, que, qui para indicar que ela deve ser pronunciada, desaparece. Vai permanecer apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. Exemplos: Müller, mülleriano. Entretanto a distinção fonética permanecerá.
Conceito - Apenas isso?
Elisabeti - Não. O acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba) desaparecerá. Por exemplo: alcateia, androide, apoia (verbo apoiar), assembleia, boia, celuloide, colmeia, Coreia, geleia, heroico, ideia, jiboia, joia, odisseia, paranoia, plateia, tramoia etc. Mas, atenção, essa regra é válida somente às paroxítonas. Assim, continuarão a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.
Conceito - Infelizmente, nosso espaço nos impede de colocar todas as regras. Gostaríamos de contar com sua colaboração para responder outras dúvidas de nossos leitores.
Elisabeti - Com todo prazer. Se os leitores quiserem enviar questões para serem esclarecidas, faremos o possível para colaborar. O assunto realmente é polêmico: há os que estão adorando e outros odiando. Toda mudança gera desconforto e descontentamento, porém como diz o lexicógrafo Mauro Villar "Ortografia é convenção. As pessoas assimilarão as mudanças. Crianças não terão dificuldade, [elas] aprenderão assim".
Elisabeti - No dia 28 de setembro deste ano, na Academia Brasileira de Letras (ABL), RJ. O projeto, que já deveria estar em prática, só não aconteceu em função de Portugal pôr resistência em assinar o documento. Apesar do parlamento português haver decidido pela adesão em maio deste ano, o presidente Aníbal Cavaco Silva só ratificou a reforma em 23 de julho. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é responsável pela mudança de cerca de 0,5% da grafia das nossas palavras, contra 1,42% dos lusitanos, fato que tem gerado muito descontentamento entre nossos colonizadores e que pode até mesmo atrapalhar os planos de unificação do idioma.
Conceito - Qual o principal objetivo dessas mudanças?
Elisabeti - O principal objetivo do projeto é a unificação ortográfica dos oito países que têm o Português como língua oficial. Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram os primeiros dos oito países a aceitar o acordo. Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal ainda mantinham-se relutantes. O Português deixará de ser a única língua com duas ortografias e, como defendia o filólogo Antonio Houaiss (1915/1999), poderá ser língua oficial da UNESCO.
Conceito - As mudanças referem-se apenas à língua escrita ou à oral também?
Elisabeti - Deve ficar claro que a mudança restringe-se à língua escrita, não afetando a língua falada. Embora a unificação ortográfica passe a vigorar, no Brasil, em 1º de janeiro de 2009, haverá um período de quatro anos para a transição. Nesse período, as duas formas serão aceitas nos vestibulares, nos concursos públicos, nos meios escritos em geral. Em relação aos livros didáticos, a partir do ano que vem, o governo só comprará e distribuirá os que estiveram impressos de acordo com a ortografia unificada.
Conceito - Quais as mudanças que iremos enfrentar?
Elisabeti - As mudanças não representam uma tragédia. Apenas em relação ao uso do hífen é que se complica um pouco, pois o assunto já era confuso e infernal para os vestibulandos e concursandos. O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y. O alfabeto completo passa a ser: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V WX Y Z. Em relação ao trema, sinal (¨) colocado sobre a letra u nos grupos gue, gui, que, qui para indicar que ela deve ser pronunciada, desaparece. Vai permanecer apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. Exemplos: Müller, mülleriano. Entretanto a distinção fonética permanecerá.
Conceito - Apenas isso?
Elisabeti - Não. O acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba) desaparecerá. Por exemplo: alcateia, androide, apoia (verbo apoiar), assembleia, boia, celuloide, colmeia, Coreia, geleia, heroico, ideia, jiboia, joia, odisseia, paranoia, plateia, tramoia etc. Mas, atenção, essa regra é válida somente às paroxítonas. Assim, continuarão a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.
Conceito - Infelizmente, nosso espaço nos impede de colocar todas as regras. Gostaríamos de contar com sua colaboração para responder outras dúvidas de nossos leitores.
Elisabeti - Com todo prazer. Se os leitores quiserem enviar questões para serem esclarecidas, faremos o possível para colaborar. O assunto realmente é polêmico: há os que estão adorando e outros odiando. Toda mudança gera desconforto e descontentamento, porém como diz o lexicógrafo Mauro Villar "Ortografia é convenção. As pessoas assimilarão as mudanças. Crianças não terão dificuldade, [elas] aprenderão assim".
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