quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

ENTREVISTA: OMAR NAJAR

"Fiquei muito tempo com o meu pai aprendendo a maneira de negociar, a maneira de ser, a responsabilidade na hora de acertar um negócio, o cumprimento da palavra. Foram fatos que marcaram a minha vida."

ViníciusGutierres

Empresário de sucesso herdou um grande patrimônio do seu pai e soube como administrá-lo e multiplicá-lo. Mais do que isso, Omar Najar, 61, ressalta a herança de alguns princípios como a lealdade, a humildade e a honestidade que segundo ele serviram como base durante toda a sua vida. Em 2008, Najar fez a sua primeira incursão ao cargo de prefeito na cidade de Americana/SP enfrentando diversos problemas como a ameaça de impugnação de sua candidatura. A vitória não veio, mas o reconhecimento sim. Apesar do baixo percentual de votos divulgados em supostas pesquisas eleitorais, Omar diz que sempre acreditou nos seus projetos, motivo dos quase 25 mil votos recebidos. Na entrevista, logo a seguir, o empresário e cidadão Omar Najar fala sobre a sua trajetória de vida, a importância da cidade de Americana e a recente experiência com a candidatura.

Conceito - Qual a importância da cidade de Americana para o senhor?
Omar - A cidade de Americana tem uma importância muito grande na minha vida pessoal e profissionalmente. É a cidade onde nasci. Nasci na rua XII de Novembro, esquina com o Ipiranga. Sou Americanense nato, adoro Americana e a população em geral. Conheço muitas pessoas que nasceram aqui e outras que vieram de fora trazer progresso para o nosso município. É um lugar muito importante na minha vida, onde moram meus filhos, meus netos. Foi onde tudo começou.

ConceitoComo foi a sua trajetória profissional?
Omar - Eu comecei a trabalhar praticamente com 13 anos de idade. Meu pai nos fazia ir para a fábrica, na Rua XII de Novembro. Fiquei muito tempo com o meu pai aprendendo a maneira de negociar, a maneira de ser, a responsabilidade na hora de acertar um negócio, o cumprimento da palavra. Foram fatos que marcaram a minha vida. Se você seguir essas normas básicas, cumprir o que combina, certamente será um vencedor. Comecei "de baixo" na fábrica, varrendo a diretoria. No final de semana ficava feliz que meu pai me dava uma retiradazinha. E assim foi até 1978/79, praticamente eu estava com 21 anos, meu pai saiu como candidato a prefeito e teve que passar os negócios. A partir daí comecei a ter uma responsabilidade maior, passei uma fase difícil quando ele faleceu em 1990, com as mudanças rápidas que estavam ocorrendo no Brasil, a dificuldade de comprar matéria prima, negociar com fornecedores. O mercado brasileiro era muito fechado e foi aberto de uma hora para a outra sem dar um respaldo para as empresas. A sobrevivência não foi fácil, mas graças a Deus e com trabalho e luta conseguimos atingir todos os nossos objetivos. Meu pai sempre falava "filho o Brasil do jeito que está, se você conseguir manter o nosso patrimônio já está bom". Com muito esforço eu não só consegui manter tudo como ampliei. Me sinto realizado.

Conceito - Quais foram os aprendizados com o seu pai?
Omar - Ajudar as pessoas, orientar, mostrando a elas o caminho. Duas das coisas mais importantes que aprendi foram hombridade e palavra. Quando meu pai fechou a venda da Tabacow e o acerto foi feito em um cartão de visitas, sem qualquer tipo de burocracia. Nesse meio tempo apareceu outra pessoa com uma proposta melhor. Eu nunca esqueço, meu pai disse "olha a empresa não é mais minha, se o senhor quiser negocie com o novo dono".

Conceito - Quais são os pontos positivos e negativos para constituir uma empresa em Americana?
Omar - Americana tem uma infra-estrutura muito boa. Com a arrecadação de ICM e os investimentos que foram feitos, a cidade se tornou um pólo atrativo. O que acontece é que essa estrutura está sendo mal aproveitada e faltam elementos humanos para tocar os hospitais e a área de educação. Hoje, uma empresa, para se instalar, avalia o que a cidade pode oferecer para os funcionários nas áreas de saúde, educação, fornecimento de água e coleta de esgoto. Fora isso, a dificuldade é a burocracia que existe dentro da Prefeitura. Não há bom senso, o pessoal deveria ser mais ágil. Hoje, nos temos muitas empresas saindo de Americana por falta de habilidade do poder público.

Conceito - Com a crise do dólar qual a perspectiva para o ano de 2009 em relação as empresas?
Omar - Para nós seria interessante que o dólar se mantivesse no mesmo patamar porque como exportamos muitos produtos, com o dólar baixo, nós levamos certo prejuízo. Com relação à crise eu tenho impressão que o primeiro bimestre do ano que vem vai ser difícil, o correto é tomar alguns cuidados, fazer os cortes necessários para se precaver. Mas isso já era esperado. O Brasil achava que estava em um mar de rosas, mas não era a realidade. Em 2002, a nossa dívida era de 200 bilhões de dólares. Com os investimentos, capital especulativo, hoje, a dívida brasileira é de 900 bilhões de dólares. Então essa reserva que eles falam, de 200 bilhões de dólares, não significa nada. Com isso muitos projetos que estavam em andamento estagnaram, devido a dificuldade de conseguir os recursos. É uma fase difícil e se você analisar essa crise é pior do que a de 1929, porque na época a economia mundial era uma economia pequena em comparação a de hoje.

Conceito - O senhor disputou as eleições municipais neste ano e deparou com diversos problemas na cidade de Americana e região? O que mais te deixou preocupado e o que te surpreendeu?
Omar - O problema da água, que se continuar nesta situação de baixo investimentos, certamente iremos sofrer uma estiagem. Se você não fizer esta aplicação rapidamente na captação de água, com reservatórios, reestruturar as portas de encanamentos podres, teremos desperdício. Outro ponto principal é o Hospital Municipal, motivo de queixas da população pelo atendimento. Também ouvimos várias críticas em relação à falta de segurança e iluminação, problema que poderia ser resolvido diante de um acordo com a CPFL.

Conceito - A votação do senhor mostrou a sua popularidade e o respeito que o cidadãos americanenses têm pela sua figura. O percentual de votos o surpreendeu?
Omar - Surpreender, não. Mas eu fiquei muito feliz pelo fato da população acreditar na nossa proposta. O que fizemos, mostrando o nosso interesse em trabalhar pela cidade, prestar um serviço, fazer o necessário, dar um choque de gestão mudando a maneira de administrar. Eu nunca fui político, mas achei que estava na hora de tomar uma posição, como eu acho que outras pessoas de bem devem participar da política, porque só assim nós modificaremos o nosso país, temos que extinguir este continuísmo, esta acomodação. Você consegue fazer mudanças através da política. Este é o principio básico da democracia. O que eu admirei é que ás vésperas das eleições alguns jornais falavam que nos estávamos com uma votação inexpressiva. E... a realidade foi outra, tivemos aproximadamente 25 mil votos. Isso influenciou muito na campanha.

Conceito - O que mais atrapalhou a sua campanha foi a impugnação da sua candidatura em razão de um processo de crime ambiental. O que o senhor tem a dizer às pessoas que votaram no Omar e que não puderam ver os seus votos validados por esse motivo?
Omar - Eu tenho a impressão que prejudicou realmente. Nós vamos provar para a população que somos inocentes, temos o parecer da Procuradoria Geral da República da nulidade do processo. Algumas pessoas que fizeram acusações e se aproveitaram do momento deveriam olhar um pouco o rabo delas. Eu sei que eu sou inocente, até porque eu não iria me sujeitar a me lançar candidato com 61 anos de idade e passar de ridículo. Se fosse assim eu ficaria no meu canto. Eu tinha pareceres de advogados de renome, os quais diziam que esse processo não impediria a minha eleição. Eu como cidadão tenho direito de participar, exercer o meu direito de cidadania. A população acreditou, mas os adversários nos prejudicaram, falando que eu estava cassado entre outras coisas. Caso isso não tivesse ocorrido teríamos uma votação ainda melhor

Conceito - Depois deste ótimo desempenho em 2008 a vida política do senhor continua?
Omar - Vamos ficar atentos para que este governo que vai assumir em janeiro faça o que realmente prometeu. Eu vou estar aqui, no meu cargo de empresário, exercendo a minha cidadania. Em relação à candidatura eu ainda não sei. Quem sabe quem vai assumir possa fazer um bom governo, eu possa ajudá-lo e não querer prejudicar, ou querer entrar em qualquer dividida. Agora, se não fizerem, nós vamos cobrar mesmo.

Conceito - Qual o maior sonho do senhor?
Omar – O meu maior sonho é ser feliz. Cada dia mais. E poder fazer alguma coisa para as pessoas carentes. O que eu puder fazer para ajudar, sem demagogias, até porque não preciso dessas coisas, eu quero contribuir. Hoje, me sinto realizado, tenho minha família ao meu lado. Quero que o padrão de vida da população americanense melhore. Que a nossa cidade fique ainda mais bonita, tenha um bom atendimento médico, abastecimento de água, piscina pro povo utilizar. Não adianta só o trabalho, você precisa do lazer. Os nossos jovens hoje não têm lazer. A nossa vontade é ver as outras pessoas felizes. O importante é a convivência, a comunidade estar bem. Temos visto as pessoas sofrendo por coisas que podem ser solucionadas com um pouco de boa vontade.

Conceito - Durante toda a sua campanha você enfatizou as mudanças emergenciais que deveriam ser feitas na cidade de Americana. Ao seu entender essas mudanças serão sanadas pela nova administração?
Omar - Eu espero que sim. Agora no futuro só Deus sabe o que vai acontecer. Nós estamos torcendo pelo sucesso da nova administração.

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