segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Chego a hora de decidir: E agora?

Satisfação pessoal, realização profissional, salários e influências da família são alguns dos fatores que deixam os jovens na dúvida do que escolher.

MaineSentoma

A hora da escolha profissional é sempre um dilema na vida da maioria dos jovens. Com as mudanças freqüentes que ocorrem no mundo e conseqüentemente no mercado de trabalho, a sensação de estar perdido, sem saber do que se gosta, o que se quer e o que se deve fazer atinge até mesmo os mais decididos.

Para o psicólogo, especializado em psicodrama e que trabalha há 34 anos com orientação profissional, Valério José Arantes, a escolha bem feita é aquela que tem relação com o que a pessoa é. "O ser humano é um ser que faz. O fazer faz parte da nossa existência, e quando você faz algo que tem a ver com sua identidade pessoal, as chances de ser bem sucedido são bem maiores" explica.

Uma pesquisa realizada recentemente em escolas de ensino médio de São Paulo aponta que a satisfação pessoal com o trabalho, é hoje, o fator principal na hora da escolha para cerca de 90% dos jovens, enquanto 86% se guiam por suas habilidades e 81% pensam no salário.

O problema é que encontrar satisfação pessoal e se guiar pelas habilidades nem sempre são tarefas fáceis. O cinegrafista, Victor Haar, 23, é um exemplo disso. Depois de começar e parar três cursos universitários diferentes - administração de empresas, publicidade e propaganda e rádio e TV -, se encontrou em jornalismo. "A primeira vez, eu trabalhava com contabilidade e achava que era isso que eu queria, então fui fazer administração. Fiquei um mês, não gostei e saí". Ele conta que sempre soube que gostava de comunicação, mas também não se identificou com os outros dois cursos que começou. "Agora eu acho que vai, porque eu estou gostando do curso, apesar de ser muito teórico", brinca o cinegrafista.

Valério José Arantes explica que assim como Vitor, as pessoas não podem desistir, mesmo que para isso recomecem várias vezes. "Quem não tem coragem de mudar, por vários fatores, como medo, influência da família, incertezas, acaba se formando um profissional frustrado". E complementa que nem sempre a escolha que o indivíduo acredita ser a correta para ele, vá dar certo, por isso a importância de tentar de novo.

Por outro lado, há pessoas como a produtora de TV, Ana Paula Klinke, 33 anos, que formada há nove anos em jornalismo, sempre teve certeza do que queria. "Eu fiquei um pouco em dúvida ente jornalismo e radialismo, porque quando você está no colegial você não sabe muito bem o que é isso. Eu fui ver realmente o que era quando já estava na faculdade, aí eu vi que tinha feito a escolha certa", conta.

Ana Paula trabalha também aos finais de semana, e ao ser questionada se há arrependimento ou se trocaria de profissão, ela garante que não. "Eu não sei fazer outra coisa, às vezes penso ‘nossa o que é que eu estou fazendo aqui’? Mas acho que eu não saberia fazer outra coisa, eu gosto muito do que eu faço", enfatiza Ana Paula.

Para Valério, a escolha da profissão deve ser bem pensada, pois além de preencher a maior parte do nosso dia, é ela que complementa a nossa identidade pessoal. Por isso, o psicólogo aconselha que no caso de dúvidas, o melhor é conversar com pessoas experientes e se necessário procurar ajuda profissional. "Alguns passam a vida inteira buscando, saltando de um lado para o outro. Outros já conseguem. Quando você não sabe, o ideal é conversar com pessoas que tenham experiência na área ou buscar orientação", conclui ele.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ficou ótima a matéria. Uma homenagem a essa cidade tão adorada.