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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Presidente da Fiat diz que Opel seria parceira ideal

Fonte: Efe, Roma

A Fiat confirmou que está negociando com a GM (General Motors) a aquisição das suas operações na Europa para criar uma outra empresa. A nova companhia pode incluir a Chrysler, a qual fechou parceria com a italiana na última quinta-feira após entrar com pedido de concordata.

O braço europeu da GM compreende a alemã Opel, a britânica Vauxhall e a sueca Saab. A montadora americana está buscando investidores interessados em ficar com essas empresas --que não são parte do seu negócio principal e não dão lucro-- para fechar o seu processo de reestruturação.

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O plano prevê a troca de títulos da dívida da montadora por ações. Dessa forma, o governo dos EUA, seu maior credor, pode ficar com o controle da GM.

Hoje, o presidente da Fiat, Sergio Marchionne, se reúne com o ministro alemão da Fazenda para discutir o seu interesse na Opel, a qual disse precisar de US$ 4,3 bilhões para atravessar a crise econômica. A chanceler Angela Merkel indicou que o governo pode ajudar um eventual investidor na Opel com garantias de empréstimos.

"Estamos avaliando diversas estruturas corporativas, como o desmembramento do grupo Fiat e a consequente criação de uma nova companhia que combine essas operações com as atividades da GM na Europa", disse a montadora italiana em um comunicado.


terça-feira, 14 de abril de 2009

Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA

Fonte: Folha Online

Em março de 2001, o Nber avaliou que a economia americana havia entrado em recessão, na esteira do estouro da bolha das empresas "pontocom". O Federal Reserve (Fed, o BC americano) iniciou uma sequência de cortes de juros que levou a taxa a 1% ao ano em junho de 2003 (e na qual permaneceu até junho de 2004). Com juros baixos, a economia recebeu o impulso que precisava para sair da recessão. Um ano de juros baixos foi o suficiente para estimular o mercado imobiliário americano, além de elevar o consumo e a circulação de crédito de modo geral. Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado.

Com juros baixos, as companhias hipotecárias passaram a explorar o segmento de clientes "subprime" --que contém um risco maior que o de clientes com classificação melhor de crédito, mas compensado por taxas de retorno mais altas.

Os papéis de dívidas hipotecárias atraíram gestores de fundos e bancos. Essas instituições compraram esses títulos hipotecários "subprime" e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Um outro gestor, interessado no alto retorno envolvido com esse tipo de papel, comprou o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerou uma cadeia de venda de títulos.

Declínio

Em 2006, o mercado imobiliário já dava sinais de saturação, com preços e estoques altos de casas, ao lado de uma taxa de juros que vinha subindo desde junho de 2004, chegando a 5,25%. Com os juros mais altos, as correções nos contratos de hipotecas dificultaram os pagamentos de prestações, e a consequência foi o aumento da inadimplência.

Com isso, as instituições financeiras, que compraram os títulos hipotecários ""subprime" e os revenderam sob a forma de derivativos, também começaram a ter problemas. Se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito).

Derivativos são papéis que tem, seu valor derivado de outros ativos, com a finalidade de assumir, limitar ou transferir riscos. São instrumentos financeiros considerados de risco, uma vez que a avaliação de seus valores e das consequências de seu uso generalizado é muito complexa em um mercado financeiro cada vez mais globalizado.

Em 2007, o setor financeiro sofreu o primeiro golpe, quando o aumento da inadimplência nas hipotecas "subprime" aumentou o risco embutido nos derivativos lastreados nesses papéis de dívida. O banco francês BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNP Paribas-- congelou, em agosto daquele ano, resgates em três fundos, alegando dificuldades de avaliar os valores dos investimentos ligados a essas hipotecas de risco.

Quebras e prejuízos

Com esse primeiro sinal de problemas, a reação foi a mesma de todas as crises que envolvem o mercado financeiro: pânico. Primeiro foram algumas gigantes do setor hipotecário, como a American Home Mortgage (AHM): uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, a empresa teve de pedir concordata. A Countrywide Financial, outra gigante do setor, teve de ser comprada pelo Bank of America.

Das empresas hipotecárias, a crise passou para os bancos. O marco inicial da onda de pânico que conduziu a esses resultados foi a quebra do Lehman Brothers, em setembro do ano passado. Desde então, alguns dos principais grupos financeiros não só dos EUA, mas do mundo todo, que já vinham sentindo os abalos da crise, entraram em um ritmo acelerado de perdas.

O Citigroup, uma das instituições mais abaladas, anunciou no último dia 16 uma reestruturação em que irá se dividir em duas unidades --além de prejuízos de US$ 8,29 bilhões no quarto trimestre e de US$ 18,72 bilhões em 2008. O Citi ainda recebeu uma garantia de US$ 301 bilhões para cobrir eventuais perdas acarretadas pela crise.

O Bank of America, no ano passado como um todo, lucrou US$ 4,01 bilhões, valor 73,23% menor que o de 2007; no quarto trimestre, no entanto, o banco teve um prejuízo de US$ 1,79 bilhão. O Wells Fargo, um dos bancos que vinha conseguindo evitar perdas mais graves, teve um prejuízo de US$ 2,83 bilhões no quarto trimestre de 2008 --resultado que, segundo o banco, se deveu aos custos referentes à compra do rival Wachovia.

Consequências

A crise provocada pelo problema que começou no mercado imobiliário e que se infiltrou no sistema financeiro acabou por se espalhar para todos os setores da economia, como reconheceu a chefe do Conselho de Consultores Econômicos da Casa Branca, Christina Romer, na sexta-feira (30) --dia em que o Departamento do Comércio informou que o PIB americano caiu 3,8% no trimestre passado. Foi o pior desempenho trimestral desde o período de janeiro a março de 1982, quando a economia caiu mais de 6% --á época, como agora, o país estava em uma recessão.

A crise, e o risco para o sistema bancário que ela representava, levou o governo americano a propor um pacote de US$ 700 bilhões --aprovado em outubro do ano passado. O pacote iria ajudar os bancos com balanços comprometidos pelo peso dos derivativos lastreados nas hipotecas "subprime", mas acabou tendo seu alcance ampliado para ajudar bancos mais saudáveis, empresas mais ligadas ao crédito ao consumidor e até as montadoras do país.

O setor automobilístico vive uma situação problemática que é consequência direta da crise de crédito resultante dos problemas com hipotecas "subprime". A General Motors e a Chrysler, com quedas nas vendas devido às dificuldades dos compradores em obter financiamento, precisaram de ajuda do governo para fechar suas contas --a ajuda veio na forma de um pacote de pouco mais de US$ 17 bilhões, com recursos do pacote de outubro.

O mercado de trabalho também sofre uma contração, nos EUA e além, causada pela crise de crédito originada nos problemas do mercado imobiliário. A taxa de desemprego nos EUA fechou 2008 em 7,2%, pior nível desde 1993. O número de desempregados no país no ano passado chegou a 2,6 milhões, maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

O novo pacote, de US$ 819 bilhões, será usado, segundo o presidente Obama, para obras de infraestrutura e geração de cerca de três milhões de empregos, entre outras coisas. Ele disse que a recuperação da economia do país "levará anos, e não meses".

O Fed, por sua vez, prevê que "uma recuperação gradual na atividade econômica deve começar mais à frente neste ano, mas os riscos de baixa para esse cenário são significativos".





segunda-feira, 13 de abril de 2009

Crise econômica leva a aumento de legislação e manifestações anti-imigrantes na Europa


Fonte: Uol Notícias

Texto: Edilson Saçashima

Os dados econômicos que são divulgados diariamente não deixam dúvidas sobre a gravidade da crise que atinge todos os países. Ela pode ser medida por meio dos números sobre retração econômica, queda de produtividade e aumento de demissões. Porém, há um outro efeito produzido pela crise que ainda parece nebuloso, mas que já pode ser visto como um sinal de alerta. Nota-se uma maior aversão ao imigrante nas principais economias do mundo. Partidos considerados de extrema direita ganharam maior apoio popular nos últimos tempos. Ataques às minorias étnicas e aos imigrantes, se ainda não podem ser considerados recorrentes, ganham destaque na mídia. Países implementam políticas mais duras de imigração. A xenofobia estaria aumentando em decorrência da crise econômica?

Pesquisa publicada pelo jornal "Financial Times" em março mostra que mais de três quartos dos italianos e dos britânicos e a maioria na França, na Alemanha, na Espanha e nos Estados Unidos apoiariam que os governos pedissem que os imigrantes deixassem o país. Nesses países, a taxa de desemprego sofreu um grande aumento com a crise econômica. No Reino Unido, por exemplo, o desemprego atingiu os números mais altos em uma década.

Entre exemplos de medidas recentes contra imigrantes, o Senado italiano aprovou, em fevereiro, um projeto que permite a médicos denunciarem os imigrantes à polícia. França e Espanha incentivaram, por meio de leis, o retorno voluntário de imigrantes. O governo espanhol propõs ainda uma reforma na lei de imigração, ainda por ser votada, que prevê multa para quem der ajuda a imigrantes ilegais.

Os dados do desemprego explicam, de certa forma, o porquê de o imigrante ser o elo mais frágil na cadeia produtiva de uma economia. Em tempos de crise, ele, em geral, se torna o alvo principal dos ataques do trabalhador nativo. "Os imigrantes, por princípio, não são cidadãos. Eles são vistos como os que vieram de foram para trabalhar. No país, eles ocupam um espaço e um trabalho que o nativo não quer fazer", diz o demógrafo Duval Magalhães Fernandes, professor da PUC-MG. "Em geral, em épocas de crise, o imigrante é sempre o diferente", acrescenta.

Aumento da xenofobia?


No Dia Internacional contra a Discriminação Racial, celebrado no último dia 21, três organizações europeias, entre elas o Conselho Europeu contra o Racismo e a Intolerância, divulgaram uma nota conjunta em que se diziam estar "alarmadas com os relatos que dão conta de ataques violentos contra imigrantes, refugiados e exilados políticos, e minorias como os ciganos". "A história europeia mostra como a depressão econômica pode levar à exclusão social e à perseguição. Estamos preocupados que, em tempos de crise, os migrantes, as minorias e outros grupos vulneráveis, se tornem o 'bode expiatório' para políticos populistas e para a mídia", escreveram.

No entanto, a aversão ao estrangeiro não seria produto direto da crise. "A xenofobia já existia antes da crise. Ainda é difícil dizer se ela aumentou com a crise econômica", diz Catherine de Wenden, cientista política e diretora do Centro de Estudos e de Pesquisas Internacionais da Fundação Nacional de Ciências Políticas de Paris.

Wenden vê a adoção de leis de imigração mais duras nos países europeus, em especial contra os imigrantes não qualificados. "Mas são ações anteriores à crise, não são medidas novas", diz. Segundo a cientista política, o endurecimento da política de imigração se diferenciaria de uma atitude xenofóbica por buscar deter a entrada de um certo tipo de estrangeiro, como os trabalhadores não qualificados e os radicais islâmicos. "Já a xenofobia é o ódio ao estrangeiro", diz.

Fernandes, por sua vez, acredita que exista uma tendência xenofóbica nos países europeus. "O discurso antiestrangeiro encontra terreno fértil junto às pessoas que perderam o emprego e o crescimento da extrema direita demonstra isso", diz.

"O monstro do nazismo e do fascismo não foi destruído. Ele está latente, presente", sugere o demógrafo. Ele cita como exemplo o caso da brasileira que disse ter sido atacada por neonazistas na Suíça. "O episódio se mostrou uma farsa, mas, na época, todos aceitaram a versão dela. O caso não foi considerado absurdo. Se tivesse ocorrido no Brasil, haveria um grande estranhamento", diz.